Braskem busca fôlego financeiro e leva dívida bilionária à recuperação extrajudicial
Petroquímica tenta reorganizar cerca de R$ 56 bilhões em compromissos financeiros e ganhar espaço para negociar com credores em meio à elevada alavancagem e às dificuldades enfrentadas pelo setor
A Braskem iniciou uma nova e decisiva etapa de sua reestruturação financeira ao protocolar, nesta segunda-feira (24), um pedido de recuperação extrajudicial. A medida envolve aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas, montante equivalente a cerca de R$ 56 bilhões, e busca criar condições para que a petroquímica renegocie seus compromissos com credores e reorganize sua estrutura de capital.
Diferentemente da recuperação judicial tradicional, a modalidade extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com grupos de credores e posteriormente submeta os acordos à homologação da Justiça. O objetivo é preservar as atividades da companhia enquanto são discutidas mudanças em prazos, condições de pagamento e outras obrigações financeiras.
O movimento ocorre após um período de crescente pressão sobre o caixa da Braskem. A companhia acumula elevado endividamento e enfrenta um cenário desafiador para a indústria petroquímica mundial, marcado por margens reduzidas, excesso de oferta de produtos e demanda mais fraca em diferentes mercados.
Ao mesmo tempo, a empresa carrega impactos financeiros relacionados ao desastre provocado pela mineração de sal-gema em Maceió, em Alagoas. Os problemas geológicos registrados na capital alagoana exigiram indenizações, realocação de moradores e outras medidas de reparação, ampliando significativamente as obrigações da petroquímica nos últimos anos.
Apesar das dificuldades financeiras, a Braskem apresentou sinais de recuperação operacional em 2026. No segundo trimestre, a companhia registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 3,33 bilhões, revertendo perdas anteriores. O resultado, porém, não foi suficiente para eliminar as preocupações relacionadas ao tamanho da dívida e à necessidade de reforçar a liquidez.
A situação também ganhou dimensão internacional. A Braskem Idesa, operação da companhia no México, iniciou recentemente um processo de reestruturação nos Estados Unidos, utilizando o chamado Chapter 11. A reorganização da subsidiária mexicana acrescentou mais um componente ao complexo cenário financeiro enfrentado pelo grupo.
Com o pedido de recuperação extrajudicial no Brasil, a prioridade passa a ser a construção de um acordo capaz de obter apoio suficiente entre os credores. A negociação envolve diferentes grupos de investidores e instituições financeiras, o que torna a definição das condições da reestruturação uma etapa fundamental para o futuro da empresa.
A medida não significa, por si só, a interrupção das atividades industriais. A expectativa é que operações, relações comerciais e compromissos essenciais continuem enquanto avançam as negociações financeiras.
O mercado acompanha o processo com atenção. As ações da Braskem sofreram forte pressão na Bolsa após o avanço das discussões sobre a reestruturação, refletindo a preocupação dos investidores com o endividamento e com os efeitos que um eventual acordo poderá produzir sobre acionistas e credores.
Agora, a petroquímica entra em um período considerado crucial. Mais do que renegociar vencimentos, a companhia precisará encontrar uma estrutura financeira compatível com sua capacidade de geração de caixa e com as condições atuais do setor.
O sucesso da recuperação extrajudicial poderá determinar não apenas a redução da pressão imediata sobre as finanças da Braskem, mas também sua capacidade de preservar investimentos, manter competitividade e reconstruir uma trajetória sustentável no mercado petroquímico.

